sexta-feira, fevereiro 03, 2006

verbo



absorvo cada uma das tuas palavras.
não as soltaste para que fossem embora.

sei que queres que as detenha,
levando-as ternamente para a concha
nascida nas palmas das minhas mãos.
ninho de aconchego.
onde cabe o volteio preparado para dançar
com as letras.
canta-me com o ritmo do teu sorriso
que a gosto o cubro, ensopado de negra tinta.
aspergindo as minhas mãos,
sopro do sussurro
que estilhaçou o controlador do tempo.

morrem as horas, ergue-se o homem.
intenso. ama-as. devora-as.
ternamente intenso.
Mesmo que reduzido à simplicidade
de não conseguir conter a imensidão
no ninho da alma.
tanto que a quereria acariciar.
deliciando-se com a posse.

a minha negra tinta é a cor do verbo.
Uma semente donde brota a minha canção.
numa luminosa paixão.
soará em tons de luz negra.

até que a voz doa.

19 Comments:

Anonymous Diana said...

Olá......

Toda palavra solta não deve ser perdida.....
Elas devem encontrar solo fecundo....
Bjs....

4:09 da tarde  
Blogger Ilvia said...

Que lindo poema. Lindas palavras unidas.
Que bom que entrou em meu blog com um sorriso. :) Depois de ler o poema do teu eu saio do teu blog com um.
Beijos

4:46 da tarde  
Blogger ~*Vica*~ said...

Lindo poema, acho que eu já tinha escrito algo parecido, em prosa, há um tempo atrás. Lindo mesmo.

5:14 da tarde  
Blogger Rosalina said...

"até que a voz doa."...e o fado solta-se.
solta-se a voz também. as palavras, essas, perdem-se tantas vezes por destinos inviáveis.
procuram-se vielas, mas só as palavras surgem.
não há vozes.
a necessidade de silêncio emerge.
e as palavras doem.

5:19 da tarde  
Blogger Nilson Barcelli said...

Que a tua voz nunca te doa. A escrever assim seria uma perda irreparável.
Abraço e bfs.

5:34 da tarde  
Blogger Ma'at said...

As palavras foram soltas, e embora não tenham partido, foram perdidas. Perderam-se no vento e andam moribundas, em busca de uma margem onde assentar… A concha não são as tuas mãos… É o teu coração. E não tenhas medo de o admitir. Nunca.

As horas não morrem… Faltam ao relógio. O tempo pára cada vez que amamos, sorrimos ou regozijamos a vida bem à nossa maneira.
Sim, a tinta é negra, mas o verbo, apenas existiu no princípio.
Sente. E não tenhas medo de o fazer.

Sente esse “verbo”.
Protagoniza-o no presente. E de preferência, de forma continuada.

E sim, canta, sorri, vive, respira, ama, odeia, e sente como ninguém… Até que a “voz” te doa.

5:44 da tarde  
Blogger Artur Moura Queirós said...

"Palavras leva-as o vento?"
Só as de quem nunca as acariciou até as derreter em negra tinta que jorra de veias, subtilmente cortadas por diamantes ternamente lapidados.

7:17 da tarde  
Blogger Zee said...

Bonito trabalho. Gostei.
Muito obrigada pela visita! Volte sempre que desejar!
beijos

7:25 da tarde  
Blogger marakoka said...

gostei deste "jogo" de palavras, de letras, de tinta negra como o verbo
gostei de ler.te
jocas maradas de palavras

8:26 da tarde  
Blogger antona said...

Felicidades por tua *blog,*tambien visitei tua web,me agrada muito.Graças por tua visita e comentários
um abraço

8:38 da tarde  
Blogger TMara said...

denso sentir. Bom f.s. bjs e ;)

10:55 da tarde  
Blogger RRH 1008 said...

Mis horas no mueren, se vuelven eternas leyendo tus poesías escritas con esa negra tinta que fluye de tus sentimientos, un afectuoso saludo para ti.

11:24 da tarde  
Blogger falcão e cunha said...

A tinta é como o sangue. A cor é diferente mas o efeito é surprendentemente parecido.

11:35 da tarde  
Blogger veldrane_sucubus said...

gostei desse expressão "morrem as horas, ergue-se o homem"

2:03 da manhã  
Anonymous a diana... :) said...

olá...
já estava em falta!!!
finalmente cá venho depositar as minhas palavras! não raras vezes, já o tinha tentado fazer.... mas sempre recuei perante o que lia... corava até... era lindo o que aqui encontrava!
o que é que eu poderia escrever?!! por mais que eu tentasse nunca conseguiria escrever nada que me soasse suficientemente belo, ou mesmo justo para aqui aparecer!
pois...
limito-me a escrever os meus sinceros parabéns! :)
estão lindos os poemas...

uma verdadeira dança de sentidos, misturada com uma boa dose de sentimentos...

Beijinhos desta sua amiga
Diana

11:43 da manhã  
Blogger .: jigoku :. said...

no fundo a voz pode doer,
mas é maior a dor que ela mata;
a dor que sai de dentro...

3:57 da tarde  
Anonymous Barbara said...

Que essa negra tinta seja o sangue! E que o tudo que não for passional desbote.

Um abraço

6:53 da tarde  
Anonymous Miguel Peixoto said...

O coração humano é um instrumento de muitas cordas. O perfeito conhecedor dos homens sabe fazê-las vibrar todas, como um bom músico.
(Charles Dickens)
Eu arriscaria a dizer também não só um bom músico, como um bom escritor, um bom professor, um bom poeta, como o Dr. .
Um Abraço.

9:45 da tarde  
Anonymous nelia said...

nao sei se já o disse aqui,mas, as coisas boas da vida, tais como algumas breves palavras que ouvimos ou lemos, perdem-se quando não as agarramos com a mesma força que temos em as possuir.

10:11 da tarde  

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