terça-feira, julho 24, 2007

ORATÓRIA DAS CORDAS VOCAIS

I.

nem sete palmos de terra abafam as cordas vocais do meu violino!

na ladaínha cerimonial deste enterro serão executadas todas as ânsias profanas de um desejo sem remissão.

os pecados não precisam de perdão pois são sempre paridos convictamente na devoção ao querer!

II.

Quando o dia me prendeu o seu chamamento, de imediato o palato da minha vontade meteu pés à estrada e partiu a caminho do nunca.

do nunca lá chegar, porque assumidamente lento num caminho onde sorve um perfeito gozo. do nunca terminar, porque aninhado num prazer sem fronteiras erguidas pelo limite do tempo. do nunca cansar, sólido na volúpia que sopro algum faça esvair!

vivo-me estrada, ufana liberdade.

sem despedidas eternas nem juras de igual porte, a genuflexão quando simbólica, revela todo o carinho do agradecimento, com olhos ao alto, enquanto o nosso joelho conversa com o chão.

IV.

ecoa o grito da minha sonora mudez.

nunca quando quebro, sempre quando devoro qualquer silêncio confrangedor.

sem desistências porque a dor é panaceia para a anestésica forma de não sentir!

sem tréguas porque a refrega não é passível de abandono.

a luta é pelo ceptro da sedução!



photo by Alexandre Costa

44 Comments:

Blogger Artur Moura Queirós said...

A liberdade dos pecados luta por viver na presença e na ausência da dor que nos aquece, da dor que nos enaltece...:)

4:17 da tarde  
Blogger serenidade said...

Oratória de sons mudos, libertados pela voz entorpecida pelos pecados dum caminho do nunca sentido.


Serenos sorrisos

5:24 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Rendo-me à musicalidade das palavras, à intensidade do discurso, ás marcas profundas de cada frase que decifro!
Muito Bonito!
RBailão

12:59 da manhã  
Blogger Dança de lágrimas ... said...

que estas oratória seja mais do que a oratória dos sofistas. para mim é. Tocou nos pontos essenciais.

Meu doce amigo

beijo em ti*

8:45 da manhã  
Blogger nathália said...

sem palavras, como sempre.
aliás, nem sei se tu sabia que eu tinha voltado a blogar, né?! se não havia falado antes, é que precisava de mais coragem pra me lançar pro mundo [virtual, que seja] novamente. tantas mudanças nos últimos meses... e agora, mais que nunca.
portugal é sempre uma espécie de refúgio pra mim: me deu Florbela, Pessoa e sempre sorrisos quando leio Amândio ;D

3:46 da tarde  
Blogger João Filipe Ferreira said...

fantástico post!! gostei muito parabens!!

3:54 da tarde  
Blogger bruno azevêdo said...

_ achamos esta faca no seu quartos.
_ é. fui eu mesmo.
_ por quê?
_ pelo memso motivo que você tá me inquerindo.
_ porra nenhuma. isso aqui é meu trabalho!
_ pois...

4:27 da tarde  
Blogger mariazinha said...

Belo.
*

4:28 da tarde  
Blogger Daniela said...

os pecados são ecos do nosso ser. mas quando não se acredita nos pecados, nem sabemos que somos pecadores e sentimos a liberdade eterna da inocência. talvez nunca façamos mal a ninguém, mas há quem nos aponte o dedo, porque para eles somos pecadores apenas porque nem sabemos que existem pecados. mas existem sempre homens que tocam violino à janela, mesmo perto do centro da terra, esperando conseguir, em algum acorde ainda por descobrir, o tom certo para abanar os pilares que regem as sociedades.

10:05 da tarde  
Blogger MIGUEL BARROSO aka Girassol said...

simplesmente brilhante Joaquim, a sabedoria escorre-te entre a força e a perseverança

12:14 da tarde  
Anonymous Márcia(clarinha) said...

Deu-me nó na garganta...
carinho e beijos

3:51 da tarde  
Blogger poesiadaspiramides said...

De joelhos no chão sentimos a terra que nos acolhe e nos devora, de olhos ao vento sonhamos com o amor vindo do firmamento
ji

7:21 da tarde  
Blogger Nilson Barcelli said...

Excelente oratória.
Dos 7 palmos de terra ao grito sonoro da tua surdez.
Bom fim-de-semana.
Abraço.

1:17 da tarde  
Blogger SAM said...

"os pecados não precisam de perdão pois são sempre paridos convictamente na devoção ao querer!/a refrega não é passível de abandono. a luta é pelo ceptro da sedução!"


Belíssimo! Senti e saboreei cada verso do poeta de grande sensibilidade em ver e saber ver as coisas da vida.


Grande beijo

10:36 da tarde  
Blogger Daniel said...

Estrada que não tem fim a não ser em nós próprios. =)

Abraço sentido

10:44 da tarde  
Blogger RPM said...

olÁ amigo Joaquim!

obrigado pela tua entrada....aqui te deixo um abraço de amizade nesta viagem pelo continente junto da cara-metade.....

um abraço de amizade

RPM

10:47 da tarde  
Blogger João Garcia Barreto said...

Texto inefável

3:23 da tarde  
Blogger Vertigo said...

lindo!! gostei tanto....

beijo

7:35 da tarde  
Blogger alice said...

orar é a forma de nos relacionarmos com o divino. bom dia, amândio. um grande beijinho.

10:11 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Nem que seja por amor ás letras, aos momentos e aos sentimentos, que todos nós escrevemos o que nos vai na alma! Deixemos que as palavras tomem vida e se transformem em poesia!

M.Moreira

8:42 da tarde  
Blogger Lia Noronha & Silvio Spersivo said...

Sons que através da liberdade se fazem entender!!!
Pura expressão!
Abraços carinhosos.

9:23 da tarde  
Blogger Lia Noronha said...

Abraço diretamente do meu Cotidiano pra vc.

9:24 da tarde  
Anonymous Rosa Maria said...

Há muito que não te lia, pois tinha perdido o teu rasto...
Encantada por te reencontrar e poder deixar-te um abraço

9:41 da tarde  
Anonymous Nylda said...

Olá António...
Passei para ler as novidades e dizer que vou de férias um tempinho, até lá, fica com Deus.
Beijos e um sorriso.

10:57 da manhã  
Blogger Mia said...

nao nos preocupamos se chegamos ao destino, se é que temos destino determinado...pouco importa, o importante é a viagem.

beijo.terno

12:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"sem desistências porque a dor é panaceia para a anestésica forma de não sentir!"

gostei e mais uma vez me deixou a 'meditar'.

Catarina (Pseudo-lisboeta)

4:42 da tarde  
Anonymous infinito pessoal said...

perplexo face à qualidade e beleza...

11:39 da tarde  
Blogger suruka said...

Viva amigo.

Ora as cordas vocais dum violino.
Nunca me tinha lembrado de tal.
Grande sentido poético aqui.
Bravo.

Abraço

5:55 da tarde  
Blogger De Amor e de Terra said...

...A luta é pelo ceptro da sedução!

Belíssimo e verdadeiro...
Tanta a luta por esse ceptro, mesmo sem a coroação da voz...

Afinal, pecados à parte, quanta a luta por essa troiana que habita fundo, dentro da gente e cuja voz se sobrepõe à nossa!

Abraço

Maria Mamede

3:17 da tarde  
Blogger pessoa nenhuma said...

voltei....e como sempre magnifico...li e reli...prendes a nossa atenção em tuas palavras, para não lhes perdermos o rasto...um beijo...

6:41 da tarde  
Blogger Ultra Violet said...

genuflexão? Essa palavra é nova pra mim!

Sou loira. Não entendi o teu comentário. Deixaste o meu msn!

Belo poema. Os pecados são temas recorrentes nas minhs reflexões. Adoro pecado, foi a maior invenção da Igreja Católica.

Como é q faz essas paradinhas aí no teu blog? Esse apagãozinho!

Quero aprender e copiar.

2:01 da manhã  
Blogger ~*Vica*~ said...

Amei este trecho:
do nunca lá chegar, porque assumidamente lento num caminho onde sorve um perfeito gozo. do nunca terminar, porque aninhado num prazer sem fronteiras erguidas pelo limite do tempo. do nunca cansar, sólido na volúpia que sopro algum faça esvair!

Lindíssimo!

4:39 da tarde  
Blogger Lusitana Presença said...

Já te tinha transmito esta reflexão, mas acho que faz sentido, recordá-la de novo a propósito deste poema. Faço-o porque gostaria que ficasse escrito e fosse transmitido.

"Caminha para a esquerda, caminha para a direita, mas acima de tudo não hesites"

Ditado Zen

11:24 da manhã  
Blogger isabel mendes ferreira said...

olá Poeta.



vim matar saudades de:..."Quando o dia me prendeu o seu chamamento, de imediato o palato da minha vontade meteu pés à estrada e partiu a caminho do nunca.

do nunca lá chegar, porque..."
assumidamente

GOSTO MUITO DA SUA ORATÓRIA!!!!!!!!!!!!!


beijo.

10:23 da manhã  
Blogger carlos said...

Nunca, existe!

7:10 da tarde  
Blogger carlos said...

Nunca, existe!

7:10 da tarde  
Blogger ♥≈Nღdir≈♥ said...

os sonhos só tem um fim quando os conseguimos realizar, enquanto isso nao acontece continuamos a sonhar...
., . - . - , _ , .
.) ` - . .> ' `(
/ . . . .`\ . . \ Ofereço uma rosa
|. . . . . |. . .|
. \ . . . ./ . ./
.. `=(\ /.=` toda perfumada
.... `-;`.-'
......`)( ... , para aromatizar
....... || _.-'|
........|| \_,/a tua Semana...
........|| .*´¨)
¸.•´¸.•*... ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•` *
*´¨) мιℓ вєιנoѕ♥*♥
¸.•´¸.•*... ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•` **♥*♥

10:36 da tarde  
Anonymous Nylda said...

Olá...
As férias terminaram, voltei para junto
dos amigos :). Vim ler as novidades,
agradecer o carinho e desejar uma feliz semana.
Beijo e um sorriso.

1:13 da tarde  
Blogger Amita said...

Amândio, é um prazer ler-te mesmo quando divergente se te apresentam os caminhos, naquela mistura de ausência nos silêncios e na razão que a hora dita.
Um bjinho e muita luz no teu caminho.
Imensamente grata pela visita.

2:18 da tarde  
Blogger Amita said...

Amândio, regressei para te dizer quão diferentes são os olhos que te leem e que tuas letras alimentam os sentidos. :)
Um doce sorriso, uma flor e uma semana linda

2:22 da tarde  
Blogger Ana said...

Uma oratória, onde o pecado da voz é absorvido pela musicalidade das palavras.

Belissimo....

9:06 da tarde  
Blogger Onde vais Maria? said...

Estranha a coincidência da leitura dos teus versos, sempre belos e surpreendentes. Não visitava o negra tinta há já algum tempo. Sou apenas uma mera desconhecida. Mas paira hoje sobre mim a morte de há 20 anos. Acesa pela leitura da Mentira de Enrique Hériz. Estranha por isso também, a coincidência do farol na magnífica fotografia.

1:24 da tarde  
Blogger veldrane_sucubus said...

"a luta é pelo ceptro da sedução!"

gostei disso =]

11:03 da tarde  
Blogger Amita said...

Belíssimas as palavras que me deixaste.Muito grata por elas.
Um bjo e uma flor

10:24 da tarde  

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