domingo, janeiro 08, 2006

missiva

parti em busca. persigo-me por lá. onde te quedas.
para lá dos muros mudos do teu silêncio.

sussurram-me que o mundo vive no seio de quatro cantos
e eu procurei em tantos mais!
em todos e em nenhum almejei um sopro de ti.

procurei em cada palmo que calcorreei. grita o silêncio da tua ausência.
procurei em todas as flores, murcharam porque por cá ainda não estás.
procurei na cidade e só trouxe os ruídos que a mesma, insensível,
produz sem parar.
procurei nos campos e por mais vida que pulasse à minha volta,
em mim só pulsava o desespero de não te encontrar!

procurei num qualquer e em todo o tempo,
procurei agora, procurei sempre sem nunca.

corri desalmado num mundo,
em todas horas e em cada segundo.
por cá e por lá só se falava de ausência.
procurei adulta, procurei-te criança,
procurei nas histórias de encantar!
procurei no meu mundo e nem os sorrisos de quem me quer bem,
limpou a cegueira crescente das lágrimas!

irrompo feito plena praia.
todos os meus grãos de areia assumem uma ténue união
erguida por um grito.
pungente. nascido na saudade.

dizer-te adeus? como?
sendo tu o meu mar,
mesmo não sabendo por onde navegam as tuas águas.
os meus perdidos pedaços de quartzo

longe de uma costa que quis ser minha. ser eu. ou nada?...
uma maré que não muda,
conduz o vento para longe das palavras,
num pleito inalcançável que guia cada um dos meus roucos apelos ao colo do cansaço.
pleno.

por uma eternidade que se arroga o direito de reclamar o fim do brilho que traduz uma luz. única.
sabes?! esse lampejo traduz o que os meus olhos dizem!

dentro de mim vi-te sorrir.
do meu céu.

dentro de ti
pulsa, mesmo que trémula, minha estrela.

9 Comments:

Blogger Nelita said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

2:48 da tarde  
Anonymous luz said...

essa que dizes " dentro de ti pulsa, mesmo que tremula uma estrela" nao percebi. vamos ver se tens coragem de publicar isto. a que dizes amar incondicionalmente. LUZ

4:28 da tarde  
Blogger Dalila said...

sem palavras...

7:00 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Já fui blogger nestes campos de palavras e ideologias perdidos na rede... Que é precisamente a manera de estar/existir do meu blog neste momento...

Deixando o acessório.

Deixa-me dizer-te que fiquei sensibilizada com as tuas palavras, embora isso não seja novidade nenhuma, não é?

Passeias o teu ego envolto em letras, palavras, sentimentos que não existem e outros que finges existirem; ou talvez não... Bem à moda do meu querido Pessoa...

Gosto.
Imenso.
Insana Dementia

7:48 da tarde  
Anonymous luz said...

Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

8:57 da tarde  
Anonymous luz said...

Vamos ver se tens coragem de publicar este comentario, ja que dizes que sou o teu grande amor e unico.
luz

9:40 da tarde  
Blogger Dalila said...

Foi o meu comentário que foi removed? Se houver problema eu não comento, mas pensei que a ideia era essa.
Enfim, de qualquer maneira, o que está escrito, está genial.

9:56 da tarde  
Blogger JOLGORIO said...

E unha desgracia pra ti vivir ainda no mundo da censura.Unha aperta e adeus.

10:23 da tarde  
Anonymous teresa cam said...

Gostei de todos, mas este particilarmente mexeu comigo. è incrivel, como é que quando duas pessas se amam tanto, conseguem viver separadas? Isto agora é para os dois não será já tempo de cortar o cordão do passado e olhar em frente que é para onde o futuro nos leva? Adoro os dois, mas LUZ desculpa lá mas a ele adoro-o um pouquinho Beijocas

3:57 da tarde  

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