sexta-feira, dezembro 23, 2005

dia da criação

e ao dia da criação,
Aquele Deus
descansou.

nem o mais ténue vislumbre de energia galgou as fronteiras do seu querer, invadindo um simples pensamento carregado da vontade de executar.
prenhe da repulsa, repudiou todas as obras por criar.

num imensurável alívio, soltou

um rotundo não a qualquer Big Bang padroeiro da imensidão cósmica : lixo universal, conspurcando o nada.
um não redondo aos números, em cuja certeza morre
a sabedoria do desconhecido.
um profundo não às palavras, herdeiras bastardas de crias criadoras
de vontades por acontecer.
um não perfeito à perfeição. por existir, ostentará
esse eterno mortal defeito!

e ao dia da não criação,
Aquele Deus
mirrou.

ventre já vazio do vácuo acabado de soltar.

2 Comments:

Blogger Corvo said...

O prazer com que desenhas a estética da acepção de tua palavra só será comparável à satisfação com que, diariamente, desembrulho cada uma de tuas ofertas. Cada uma transcendendo-se, por tuas magicas pinceladas, em todo o significado...

Dadivas!

7:46 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Queria deixar o meu pequeno comentário!!!
Adorei o que li sobre "dia da criação", pois é algo me que revejo, precisamente nesta forma de ver o mundo e da sua própria concepção.
SÓ DIGO QUE É EXTRAORDINÁRIAMENTE LINDO O QUE ESCREVEU...

Troia

4:43 da tarde  

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